Televisão Digital Educativa

Modelagem de Conteúdos Interativos | Prof. Dr. Francisco Rolfsen Belda

Contribuições e resultados

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A pesquisa realizada no âmbito deste trabalho – por meio de revisão bibliográfica, atividades de produção de vídeos, modelagem de conteúdos e desenvolvimento de um protótipo de aplicação – revela que o advento da televisão digital amplia e inova, em diversos aspectos, as possibilidades de aplicação de recursos audiovisuais interativos em apoio à educação.

Dentro de seus limites, nossa pesquisa procurou oferecer referências que contribuam para a conceptualização e formalização de modelos de comunicação televisiva e educativa que estejam em sintonia com essas novas práticas colaborativas de produção de conteúdo. Para isso, foram identificados, descritos e mapeados diversos elementos que caracterizam esses novos processos de produção que são, em si mesmos, interativos, independentemente de funcionalidades técnicas do conteúdo gerado.

Os resultados obtidos podem ser sintetizados com as seguintes proposições:

  • Modelagens convencionais de comunicação, televisão e aplicações de internet não satisfazem, isoladamente, as demandas do processo de produção interativa de conteúdo para televisão digital. As recentes transformações desse processo requerem uma combinação de componentes extraídos desses modelos anteriores, bem como a inclusão de novos elementos e inter-relações que representem novos modelos de estruturas de conteúdo e de interação;
  • Modelagens que empregam linguagens de notação com alto nível de formalização, como as usadas em engenharia de software, são dificilmente compartilhadas por equipes de comunicação e educação envolvidas na produção de conteúdos e roteirização de design instrucionais para aplicações educativas de televisão digital. Esquemas gráficos de orientação visual podem, no entanto, ser combinados de forma a se oferecer referências que mantenham níveis equilibrados de rigor simbólico e inteligibilidade para leigos;
  • Classificações baseadas em gêneros convencionais de conteúdos de televisão e internet não se aplicam diretamente a esse novo contexto midiático, caracterizado pela emergência de formatos híbridos e conformações espontâneas de linguagens narrativas próprias das redes descentralizadas de produção colaborativa. Ainda que se proponham formatos alternativos, o dinamismo desse modelo de produção parece impedir categorizações rígidas e até mesmo dificultar o estabelecimento de padrões;
  • A combinação de linguagens, formatos e gêneros da narrativa educacional em mídias interativas, bem como os aspectos colaborativos de seu processo de produção, favorecem o protagonismo autoral dos estudantes na composição de conteúdos que refletem modalidades dialógicas de comunicação;
  • A descentralização da produção, aliada a esse protagonismo interativo, deve provocar uma intensa reformulação dos modelos processuais ainda hoje adotados pelas emissoras de televisão educativa e universitária, em direção a uma estrutura organizacional mais colaborativa, que contemple a participação de comunidades e grupos produtores de conteúdos educativos espontâneos em sua programação;
  • Aplicações educativas para televisão digital podem ser concebidas como ambientes virtuais de aprendizagem, na medida em que combinam diversas tecnologias de comunicação e oferecem design interativo, alternativas navegacionais, intercâmbios de conteúdo, comunicação interpessoal, participação ativa de tele-interatores e possibilidades de uso contextualizado e combinado com atividades presenciais de produção audiovisual.

Acredita-se que, ao contemplar tais aspectos, esse modelo estrutural de conteúdos é capaz de inovar em relação a esquemas convencionais de representação principalmente ao explorar a diversidade de formatos (ou classes) e suas possibilidades de inter-relacionamento sincronizado a partir de critérios formais. Oferece-se, assim, uma contribuição para o desenvolvimento de um sistema integrado de educação a distância por mídias distribuídas, como foco na produção e fruição interativa de recursos multimídia por comunidades de aprendizagem inspiradas em redes sociais e participativas de televisão, a exemplo do que ocorre na internet, atualmente.

De um ponto de vista tecnológico, a viabilidade de implantação desse modelo de tele-educação com acesso remoto a servidores de vídeo através de canal de retorno integrado à internet encontraria respaldo no Sistema Brasileiro de Televisão Digital, por exemplo, por meio de programas computacionais a serem desenvolvidos a partir das Interfaces de Programação de Aplicativos (ou API, na sigla em inglês) JAVA™ e Lua incluídas no middleware Ginga.

De um ponto de vista cultural, no entanto, entende-se que abertura à participação deve ser a característica central desses novos modelos de aprendizagem audiovisual interativa, que diferem radicalmente da estrutura convencional da maioria das emissoras e canais públicos e educativos de radiodifusão, que mantêm, ainda, um modelo de comunicação verticalizado, centralizado e hierarquizado, refletindo-se em sua grade de programação, na organização de suas equipes e, em última instância, nos formatos e na linguagem dos conteúdos veiculados.

Para que se supere esse modelo é necessário viabilizar, no âmbito dessas emissoras, um sistema mais descentralizado – em que a produção de conteúdo esteja dispersa entre comunidades de aprendizagem – e horizontal – com fluxos bi- e multi-direcionais de informação, a partir da participação dos tele-interatores na programação com compartilhamento de canais de transmissão de mídias audiovisuais. Talvez a própria noção de emissoras de televisão, como fontes unidirecionais de veiculação de conteúdos, logo não faça mais sentido frente a esses novos contextos de comunicação audiovisual interativa.

O campo das redes de televisão educativas e universitárias, já entendido como espaço privilegiado de experimentação sobre novas tendências de comunicação e difusão de conhecimento, deve constituir também um espaço pioneiro de transformação, com a absorção, em sua estruturas e práticas, dessa dimensão participativa própria das comunidades televisivas de aprendizagem, rumo a um modelo efetivamente interativo e colaborativo de comunicação.

Written by Francisco Rolfsen Belda

20/09/2010 às 02:54

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