Televisão Digital Educativa

Modelagem de Conteúdos Interativos | Prof. Dr. Francisco Rolfsen Belda

Modelagem

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Consideradas as definições de modelagem expressas na primeira parte do relato da pesquisa exploratória, a busca por um modelo de conteúdo que sirva de referência para o público considerado deve ter como meta favorecer a sistematização de sua estrutura e a reprodutibilidade de sua produção. Ao identificar, classificar, mapear e compartilhar registros, visões e documentações, esse tipo de modelagem pode ser útil não apenas aos profissionais de mídia e educação, mas a todos os membros de uma comunidade de aprendizagem que, de alguma forma, tenham interesse em participar e interagir com a produção de conteúdos que retratem e difundam seus conhecimentos e contribuam, assim, para sua aprendizagem individual e coletiva.

O modelo proposto tem como principais características: a) multi-linearidade, com diversos percursos de navegação possíveis a partir de associações de elementos de conteúdo; b) colaboratividade: com a possibilidade de submissão de conteúdos gerados de forma participativa pelos tele-interatores; c) imersividade: com o uso de ambientes virtuais televisivos que promovem aprendizagem contextualizada; e d) seletividade: com a opção para que o usuário escolha entre conteúdos alternativos e os acione sob demanda, criando uma grade particular de programação. Seus requisitos funcionais de informação, comunicação e educação incluem os seguintes princípios: permitir acesso seletivo às peças de conteúdo; permitir adaptação de design para diferentes interfaces; valorizar conteúdos com linguagem audiovisual; incentivar a produção participativa de conteúdo; representar contextos e áreas de conhecimento; permitir controle comunitário sobre a qualidade do conteúdo; e permitir o re-uso e a re-combinação de conteúdos do acervo.

Esse modelo é concebido com base em um conjunto sistematizado de conteúdos composto por vídeos principais (que podem ter origem em acervos de televisão educativa convencional) e quadros com formatos padronizados cuja produção seria mantida de forma colaborativa, seriada e espontânea pelos próprios tele-interatores. Estes gravariam os vídeos com conteúdos de interesse educativo e providenciariam sua disponibilização (com submissão por rede de conexão por micro-computador, telefone celular ou diretamente por meio do set-up-box) para sua posterior reprodução a partir de um repositório de conteúdos de televisão digital. Entre os formatos propícios a essa produção colaborativa descentralizada estão:

  • Demonstrações, com vídeos retratando experimentos laboratoriais e funcionamento de máquinas e softwares, com apresentação de materiais e métodos, explicação de conceitos e narração de etapas, com uso de animações e imagens de apoio;
  • Dúvidas, com vídeos de perguntas gravadas por estudantes e pessoas da comunidade sobre assuntos diversos e respondidas por professores, pesquisadores e profissionais especialistas de diversas áreas do conhecimento;
  • Depoimentos, com vídeos gravados por alunos de iniciação científica e pós-graduação e que sintetizam o tema, os objetivos e resultados de seus projetos de pesquisa, estimulando o intercâmbio audiovisual de informações e contatos.

A esses e outros quadros, como dramatizações, documentários, debates, reportagens, entrevistas, estariam associados conteúdos complementares na forma de tele-texto, com créditos, glossários, dicas, testes (de múltipla escola, verdade ou falsidade ou resposta de texto), referências de livros, mídias e sites sincronicamente relacionados ao conteúdo do vídeo em exibição. Também são acessíveis elementos de imagem, como fotos, ilustrações, gráficos e diagramas; de áudio, com gravações integrais de aulas, palestras, entrevistas e depoimentos; de animação, como slides dinâmicos, simulações e jogos, entre outros.

Esses programas podem ser oferecidos como mídias complementares e ilustrativas vinculadas à programação regular de uma emissora de televisão digital educativa ou universitária. Tele-interatores poderiam acionar a exibição desses quadros a partir de sua vinculação temática com programas de forma multilinear e opcional. Enquanto produtores de conteúdo, ao disporem de um canal de retorno adequado, esses tele-interatores poderão oferecer seus próprios vídeos, em um desses formatos, para armazenamento, uso comunitário e retransmissão, por meio de uma interface televisiva à qual tenham acesso mediante cadastro.

Os elos entre essas mídias diversas podem ser acionados pelo usuário, com teclas do controle remoto, durante a veiculação de um programa qualquer, em resposta a dicas e atalhos de tela e acesso a menus de programação. A cada um desses programas pode ser relacionada uma série praticamente ilimitada de conteúdos complementares multimidiáticos que mantenham relação significativa com a mídia original, incluindo versões integrais de arquivos de áudio e vídeo com depoimentos, entrevistas e outras gravações inseridas de forma parcial ou fragmentada nos programas originalmente transmitidos.

Diversos exemplos correntes de programação televisiva, sobretudo em gêneros de notícia, serviço e entretenimento, revelam tendências de setorização dos espaços de tela de forma a exibirem-se conteúdos complementares que compõem um quadro informativo associado ao conteúdo central em apresentação. Em alguns canais especializados em notícias, como a Bloomberg Television, é possível identificar mais de uma dezena de compartimentos de tela usados para exibição de textos, infográficos, imagens paralelas ou telas secundárias de vídeo e animação, ainda que a maioria não tenha relação direta com o vídeo principal. Outros canais, como a CNN, mantêm a mesma tendência de uso de variados compartimentos de informação, porém em número menor e com combinação mais criteriosa de classes de conteúdo televisivo de forma a compor, geralmente, uma mesma unidade temática de programação.

Com a televisão digital, essas possibilidades de combinação passam a ser controladas pelo tele-interator, com o uso do controle remoto, a partir de um menu de conteúdos extras e complementares previamente organizados pela emissora, o que exige uma estrutura dinâmica de conteúdo em conformidade com determiandos padrões de associação. Para tanto, o funcionamento dessa rede de interligação deve estar baseado em uma descrição padronizada de metadados, com informações sobre atributos de cada programa e descrição de características formais e elementos semânticos relacionados ao seu conteúdo, considerando aspectos cronológicos, de forma a orientar o sincronismo de mídias para pontos de giro previamente estabelecidos em função de momentos tematicamente oportunos para o acesso a conteúdos complementares.

Quais são essas classes inter-associáveis? Quais os critérios que podem definir essas vinculações? De que forma variações de categorias de conteúdo podem alterar critérios de vinculação de classes? De que forma outros atributos de conteúdo podem também relativizar esses critérios? Como pode sustentar-se em exibição uma combinação de classe de conteúdo sem prejuízo da inteligibilidade ou da orientação navegacional do tele-interator? Que atributos podem ser indicados para padronizar essas condições de exibição simultânea? São algumas questões essenciais que um modelo estrutural de conteúdos pode ajudar a responder.

Written by Francisco Rolfsen Belda

27/09/2010 às 01:28

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